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ALVENARIA
Alvenaria estrutural em grande escala
Maior empreendimento do Minha Casa, Minha Vida em construção em Campina Grande-PB utiliza alvenaria estrutural com blocos de concreto


 
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Reportagem: Silvério Rocha, Revista Prisma, edição 63
Fotos: Divulgação/ Prefeitura de Campina Grande
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Campina Grande, o segundo maior município da Paraíba, com 407.754 habitantes (IBGE 2016), tem um déficit habitacional estimado de 16 mil residências. Esse déficit será reduzido em mais de um terço com a inauguração, prevista para janeiro de 2018, do conjunto habitacional Aluízio Campos, que terá no total 4.100 unidades – 3.088 apartamentos e 1.012 casas, todas elas situadas na faixa 1 do Programa Minha Casa, Minha Vida. O empreendimento, um dos maiores do Brasil nessa faixa do programa federal e que terá uma população superior a de muitos municípios brasileiros, está em sua etapa final e teve todas as suas unidades construídas com alvenaria estrutural com blocos de concreto.

 A Prefeitura de Campina Grande entrou com o megaterreno de 117 hectares (1.170.000 m2), como é usual em empreendimentos nessa faixa do Minha Casa, Minha Vida, e responsabilizou-se também pela construção dos equipamentos sociais e comunitários. “O projeto prevê a construção, pela Prefeitura, de dez praças, três creches, três escolas, duas Unidades Básicas de Saúde e demais equipamentos de proteção social”, explica o secretário de Planejamento da Prefeitura de Campina Grande, André Agra. O secretário informa que se inscreveram 15.200 pessoas para o sorteio das 4,1 mil residências, que terá unidades especialmente projetadas para idosos e pessoas com deficiência. “As casas destinadas a deficientes e idosos foram projetadas com conceitos de acessibilidade.”

Alvenaria estrutural

A obra havia sido inicialmente projetada para o sistema convencional de construção, sistema esse que foi alterado para o de alvenaria estrutural com blocos de concreto, para os edifícios e às casas. Na mira, o desempenho técnico e a economia que a alvenaria estrutural com blocos de concreto proporciona, revela Renato Rocha, diretor de Planejamento da Construtora Rocha Cavalcante, empresa familiar sediada em Campina Grande e já com 38 de atuação no mercado, com obras em diversas áreas: habitacional, rodoviárias, mercado imobiliário, entre outros. “Nosso critério para adotar a alvenaria estrutural com blocos de concreto foi eminentemente técnico e econômico, pois queríamos experimentar esse sistema que já se revelou como muito eficiente em inúmeras obras habitacionais”, avalia Rocha.

Para superar o desafio de construir um empreendimento com 4.100 unidades, numa escala superlativa e que foi desenvolvida num período – teve início no final de 2014 - em que a economia brasileira, em paralelo com a crise política, começou a patinar fortemente, o planejamento foi essencial, assegura o diretor da Rocha Cavalcante. “Fizemos um planejamento no qual a logística do canteiro foi essencial, com a definição em planta dos locais de entrega dos materiais, adquiridos pelo critério de qualidade, mesmo que, muitas vezes, o custo fosse um pouco superior”, relata. Entre outros detalhes, o planejamento estipulou cores para cada local de entrega nas plantas do empreendimento, favorecendo o controle interno e a eficiência na entrega.

Produtividade elevada e sustentabilidade

O projeto estrutural dos 68 edifícios de quatro pavimentos – cada um deles com quatro apartamentos de dois dormitórios por andar, de 48 m2 e 52 m2 cada - e das residências térreas de dois dormitórios e 43 m2 pode ser considerado simples, de acordo com o responsável pela sua elaboração, o engenheiro calculista e professor Joel Araújo do Nascimento Neto. A fundação dos edifícios foi feita em radier de concreto armado com 15 cm de espessura, técnica permitida pelo tipo de solo – argiloso ou arenoso, em alguns locais - predominante na Paraíba e no Rio Grande do Norte. Para erguer as paredes estruturais foi utilizado o bloco estrutural de 14x19x 29 cm, com 4 MPa de resistência. “Apenas nas paredes que na divisa entre dois apartamentos foram utilizados blocos de 20x19x39 cm, para atender às exigências de desempenho acústico da NBR 15.575/2013, a Norma de Desempenho”, detalha Nascimento Neto.  Segundo o calculista estrutural, a construtora optou por utilizar a laje pré-moldada treliçada com preenchimento de EPS, em vez da pré-laje, por ser o componente com o qual estavam acostumados a trabalhar. Nas casas, todas térreas, utilizaram o bloco estrutural da linha M10, de 3 MPa, com uma parede alta, de 4,5 m de altura, no encontro das unidades geminadas duas a duas, “com as duas paredes fazendo o travamento mútuo”.

A construtora desenvolveu seu sistema de escala de produção baseado em serviços sequenciais, para atender ao cronograma estipulado, diz o engenheiro Rogério Agra, da Rocha Cavalcante e responsável pelas obras do Aluízio Campos. No início da obra, em outubro de 2014, foi desenvolvido um treinamento pela unidade do Senai de Campina Grande, “com resultado muito bom de produtividade”, segundo o engenheiro Agra. A escolha da alvenaria estrutural com blocos de concreto de 14x19x29 empregado na maior parte da obra dos edifícios deu ganhos de produtividade e diminuição dos acidentes de trabalho. A parceria com o Senai permitiu a capacitação de duas turmas de assentadores de blocos, formando cerca de 30% dos cerca de 1.100 operários que ali atuaram no pico dos trabalhos. “No pico, foram duas duplas com 50 assentadores cada, reduzidas, posteriormente, para duas duplas de 35 assentadores cada”, afirma Rocha. A cada dupla de assentadores teve produtividade média capaz de erguer 12 casas por mês, com desperdício pequeno de blocos – de 3%, segundo ele. O diretor da Rocha Cavalcante relata que a construtora executou, há três anos, outro conjunto habitacional com 3.048 unidades com sistema convencional, que exigiu 1.500 funcionários, no pico. A obra do Aluízio Campos, em alvenaria estrutural com blocos de concreto e com 4.100 unidades, exigiu 1.100 funcionários no pico, para ser concluída no mesmo prazo, diz ele. 

O principal desafio enfrentado nessa obra, na opinião de Rogério Agra, foi a enorme dimensão do terreno, acidentado e que exigiu grande movimentação de terra para atender às exigências de acessibilidade e, assim, evitar a necessidade de escadas. Todos os blocos foram entregues paletizados, “para facilitar a movimentação na obra”, que contou também com equipamentos de transporte vertical e andaimes. A execução dos serviços correu mais lentamente em 2015, devido ás dificuldades econômicas que afetaram o pagamento pelo governo federal das medições, pagamentos estes que começaram a se normalizar no segundo semestre de 2015 e adquiram regularidade em 2016 e 2017.

As ruas do condomínio foram pavimentadas com asfalto e as calçadas são pavimentadas com pisos intertravados de concreto. As casas foram executadas com itens como acessibilidade, com portas dimensionadas para passagem de cadeiras de rodas e banheiros adaptáveis, e todas equipadas com aquecimento por energia solar fotovoltaica, um componente de sustentabilidade e de economia para as famílias, acrescenta e o secretário de Planejamento de Campina Grande, Rogério Agra.

 

Box

Campina Grande – Polo tecnológico e industrial

Campina Grande é também um dos maiores polos tecnológicos e industriais do Nordeste. Sua região metropolitana abrange 19 municípios, com um total de 985 mil habitantes. Tem também um índice de desenvolvimento humano alto (0,720 – PNUD 2010) e déficit habitacional estimado em 16 mil residências.

Construtora Rocha Cavalcante

Fundada há 38 anos, em Campina Grande, a construtora Rocha Cavalcante tem a qualificação no nível A do PBQP-H e também certificada pela ISSO 9001.

Interblock conta com o Selo de Qualidade

A Interblock, com fábrica estrategicamente situada em Alhambra-PB, próxima portanto de João Pessoa, Recife e Natal, é uma indústria de artefatos de cimento concebida sob o desafio de ser uma das mais modernas e produtivas do Nordeste. Fornece pré-fabricados como pisos intertravados, meio-fio e as mais variadas famílias de blocos estruturais e de vedação. A Interblock utiliza as mais modernas técnicas produtivas disponíveis no mercado e possui máquinas automatizadas, ideais para produção em larga escala de artefatos de cimento. A empresa possui sistema de entrega paletizada com cubos de blocos embalados em filme de polietileno, seguindo a exigência do Inmetro. A Interblock é associada à BlocoBrasil (Associação Brasileira da Indústria de Blocos de Concreto) e possui o Selo de Qualidade da ABCP, garantia de produção em conformidade com as Normas da ABNT.

Ficha técnica

Obra: Conjunta Habitacional Aluízio Campos – Programa Minha Casa, Minha Vida – Faixa 1

Localização: Campina Grande-PB

Contratantes: FAR –Fundo de Arrendamento Residencial / Ministério das Cidades / Banco do Brasil


Contrapartida: Prefeitura de Campina Grande/PB

Área do terreno: 1.170.000 m2 (117 hectares)

Área construída total: 200.285,94 m2

Edifícios: 68, térreo + 3 pavimentos, 4 apartamentos por andar, total de 1.088 apartamentos de 48 e 52 m2, com 2 dormitórios / 1 WC social / 1 cozinha / sala 2 ambientes

Casas: 3.012 casas térreas, de 43,34 m2, com 2 dormitórios / 1 WC social / 1 cozinha / sala 2 ambientes

Projeto de arquitetura: Arquiteta Caroline Maria Gomes Carneiro

Projeto estrutural: Empresa: Progescon – Projeto, Gestão e Consultoria em Engenharia Ltda.

Instalações: Marcelino Andrade de lima ME

Infraestrutura: Empresa: Arco – Projetos e Construções Ltda.

Construção: Construtora Rocha Cavalcante Ltda.

Investimento: R$ 300 milhões

Financiador: Banco do Brasil S.A.

Data de início da obra: 10/10/2014

Data prevista para conclusão: 31/01/2018

Principais fornecedores: Interblock (blocos e pisos intertravados de concreto), instalações hidrossanitárias (Tigre, Deca, Docol), cimento (Lafarge/Holcim Brasil), tintas (Ibratin Nordeste), perfis metálicos (Milatec), cabos e fios elétricos (Fios Cordeiro)

 Data: 02/08/2017



 
 
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Nº 58 AGOSTO 2015


 
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